terça-feira, 12 de julho de 2011

O dilema do muro








Foi o céu escuro






que curou






o muro






duro.












Foi o céu claro






que roubou






o mel






do muro






burro.












É o céu pálido






que lida






dia - a - dia






com o urro






do muro.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Uma troca




Foi um pio




silencioso




e o io




a princípio




era gostoso.




Em virtude de toda a




conurbação




e da inevitável




globalização




o io se foi




deixando apenas




um oi

domingo, 26 de setembro de 2010

O espirro


Eu peguei um resfriado.
Não sei o que tenho que fazer agora.
Hora de ir
hora de voltar.
Talvez um pouco de ar
puro.
Será que encontro pureza
ou tristeza
na natureza
da natureza humana?
Mão que resgata
o gato preso
nos galhos
sozinho sem ninguém.
Alguém.
Ninguém.
Há tanto tempo
com tanta gente por perto
longe.
No Paraíso.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Impaciência do amor


Não sei por que
não calo a boca
quando você fala.
Mas quando eu me
viro pra falar
deixe – me.
Nada de bom
acontece quando
você fala
você chora
você – mala.
Pare assim.
Amor acontece.
Teça o fio
que nos une.
Menos
bem menos
mais
muito mais
Se...
Se acontecer
Se beber, se comer
Dois passos,
três, quatro
cinco
para o abismo
Veja que estou caindo
falindo
Eu preciso
I need
Eu
E...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Detritos no banheiro


Detritos no banheiro

Azulejos e toalhas
os únicos que
conhecem a verdade.
Mas as palavras
que saem da boca
não são mentirosas.
Mentiroso
é aquele que mente
pra sua mente.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O vaso


O Vaso

Sua presença era notável. Era um lindo vaso de porcelana. Sobre uma pilastra de arquitetura grega, o vaso tinha uma incrível capacidade de percepção. Sua sensibilidade aguçada o tornava ainda mais bonito. Ele se destacava entre os outros membros da família. Além disso, aconchegava um lindo ramalhete de rosas vermelhas.
Dona Júlia era a dona do vaso. O nascer do sol era o marcador do início de uma longa prosa entre o vaso e dona Júlia. Se Júlia estivesse feliz, provavelmente, o vaso também estaria.
Thiago era neto de dona Júlia. O rapaz nunca havia notado a presença do vaso. O rapaz era vazio. O vaso era cheio.
Ricardo era filho de dona Júlia, pai de Thiago. Ele já reparara a presença do vaso, mas era algo indiferente.
Marília era nora de dona Júlia. Ela odiava o vaso. O vaso já reparara a sua presença, mas era algo indiferente.
Próximo à janela, o vaso não era vidente. Apenas tinha uma vista privilegiada dos fatos. O vaso viajava entre os vários conflitos familiares. Dona Júlia se consolava ao lado do vaso. Assim sempre foi. O vaso não era vagal. Vivia de acordo com os seus limites. Tinha suas próprias versões sobre os fatos.
Dona Júlia iniciara uma reforma na casa. Thiago foi o primeiro a reclamar.
- Se continuar com esse barulho eu vou embora!
- Pode quebrar aquela parede, dizia dona Júlia ao pedreiro.
Ricardo também desabafou.
- Mãe, reformar a casa? Que bobagem!
- Vai ficar linda, exclamava dona Júlia.
Marília não perdia a oportunidade:
- Tomara que eu me mude logo dessa casa.
- Nossa, vaso! Você está tão lindo hoje, dizia dona Júlia.
Dona Júlia tentava amenizar a situação. O vaso aconselhava dona Júlia na medida do possível. Assim foi até o final da reforma.
Mas, infelizmente, dona Júlia ficara doente. Os problemas no coração eram suas derrotas. No hospital, a enfermeira informou que Thiago não pôde ir, pois estava treinando no colégio. Ricardo estava em uma reunião e Marília havia visitado a mãe. Informou, também, que alguém deixara um vaso na recepção.
Dona Júlia ficara muito contente. O vaso estava limpo, brilhante e as flores estavam mais vermelhas. A alegria foi tanta que dona Júlia saiu do hospital no dia seguinte.
Chegando em casa, o vaso voltou para o mesmo lugar. Ninguém da família estava lá. Dona Júlia e o vaso ficaram sozinhos por bastante tempo. Dona Júlia deitou - se na cama e fechou os olhos. Ficou sentindo a brisa que vinha da janela. O vaso sorria para dona Júlia. Dona Júlia adormecera. O vaso ficou velando o sono de sua companheira.
Um vento repentino soprou forte. O vaso se desequilibrou e caiu no chão partindo - se em mil pedaços. As rosas vermelhas se espalharam ao redor do vaso. Dona Júlia acordou com o barulho da tragédia. Inclinou - se e viu que o seu melhor amigo estava morto no chão.
Infelizmente, dona Júlia sofria do coração. E um ataque cardíaco a levou para o céu. Estendida na cama, dona Júlia era, agora, a mulher mais feliz.
Horas depois, Ricardo e sua família encontraram dona Júlia deitada na cama. O vaso estava quebrado no chão.
Dona Júlia não deixara nada para seus descendentes. Apenas os cacos do vaso.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Estrabismo



Estrabismo

Que olhos puros
que olhos claros
que eu quero.
Mas não encontro
o encontro
desses olhos
vesgos.
Pureza clara
de nascença.
Eu já sabia
que o meu olhar
fechou os seus olhos
e acabou
.