
O vôo
Ele suspirou de alegria e tristeza. Misturou de leve as pedras de gelo que boiavam refrescantemente no copo com coca-cola. Lambeu o dedo e lançou um olhar perseguidor ao seu redor. As pessoas não estavam lhe prestando atenção, embora esse fosse o seu desejo íntimo.
O avião decolou e ele fechou os olhos demonstrando calma e falta de preocupação. Sentiu que teria que ler o livro que trouxera consigo devido ao pouco entusiasmo que lhe circundava (para ser bem claro: não havia nenhuma pessoa interessante no vôo).
Ele leu dois capítulos e respirou profundamente, olhando em seguida para a janela a fim de visualizar alguma paisagem conhecida. No instante seguinte, reparou as pernas que estavam esticadas justamente ao seu lado. E ficou surpreso por não repara-las anteriormente. E imaginou o que perdera por não ter reparado aquelas pernas no saguão do aeroporto ou até mesmo ao entrar na aeronave.
Enfim havia encontrado um entretenimento para os quinze minutos finais. E por um pequeno momento desejou que as duas cidades fossem mais distantes uma da outra. Terminou de beber a coca-cola e colocou a pequena pedra de gelo na boca. Devolveu o copo para a aeromoça e logo em seguida lançou um olhar para as pernas e depois para a cintura. Sentiu – se sortudo e abriu um pequeno sorriso. Entretanto, foi interrompido pela voz do piloto autorizando o pouso no aeroporto. Pegou sua mochila dentro do compartimento de bagagens e ficou de pé, esperando em fila indiana o momento de desembarcar. E deixou, é claro, que as lindas pernas ficassem à sua frente. Acompanhou – las até onde pôde, mas aquelas pernas pareciam estar apressadas ou desinteressadas em conhecê-lo. Desistiu, então, apesar de ter imaginado suas mãos tocando-as por cima da calça jeans.
Desviou o seu trajeto para o restaurante e pediu um prato bem gostoso, para compensar a perda que havia sofrido. Deliciou-se por alguns minutos e sentiu que seu dia seria longo. O que fazer até o próximo vôo que o levaria para outra cidade? Foi então que resolveu procurar as pernas. Talvez elas estivessem esperando também, assim como ele. Passou por todas as lojas, restaurantes, bares e companhias aéreas. Não as encontrou. Resolveu sentar em um dos bancos de espera. Após alguns minutos resolveu deitar. Tirou seus óculos escuros da cabeça e os deslizou até os olhos para que pudessem encobrir seu olhar enquanto tirava uma soneca. Pouco a pouco o sono foi lhe atingindo. Segurava sobre a barriga, para dar um ar mais culto a sua pessoa, o livro que havia começado a ler dentro do avião.
Passaram – se quarenta minutos e inesperadamente foi despertado por um senhor de meia-idade que lhe pedia um ajuda em dinheiro para inteirar uma passagem de volta à Bahia. Carecidamente e com uma vontade intrínseca de fazer uma boa ação deu dois reais ao senhor. O homem lhe agradeceu e lhe perguntou qual era o destino da viagem. Disse somente que estaria saindo do país.
Quando pensou em voltar à sua posição de repouso, foi abordado pelo lindo par de pernas que havia buscado com tanto interesse anteriormente. Mas as pernas só queriam lhe dizer que precisavam de mais espaço no banco onde ele estava usando de uma forma meio abusiva.
Ele suspirou de alegria e tristeza. Misturou de leve as pedras de gelo que boiavam refrescantemente no copo com coca-cola. Lambeu o dedo e lançou um olhar perseguidor ao seu redor. As pessoas não estavam lhe prestando atenção, embora esse fosse o seu desejo íntimo.
O avião decolou e ele fechou os olhos demonstrando calma e falta de preocupação. Sentiu que teria que ler o livro que trouxera consigo devido ao pouco entusiasmo que lhe circundava (para ser bem claro: não havia nenhuma pessoa interessante no vôo).
Ele leu dois capítulos e respirou profundamente, olhando em seguida para a janela a fim de visualizar alguma paisagem conhecida. No instante seguinte, reparou as pernas que estavam esticadas justamente ao seu lado. E ficou surpreso por não repara-las anteriormente. E imaginou o que perdera por não ter reparado aquelas pernas no saguão do aeroporto ou até mesmo ao entrar na aeronave.
Enfim havia encontrado um entretenimento para os quinze minutos finais. E por um pequeno momento desejou que as duas cidades fossem mais distantes uma da outra. Terminou de beber a coca-cola e colocou a pequena pedra de gelo na boca. Devolveu o copo para a aeromoça e logo em seguida lançou um olhar para as pernas e depois para a cintura. Sentiu – se sortudo e abriu um pequeno sorriso. Entretanto, foi interrompido pela voz do piloto autorizando o pouso no aeroporto. Pegou sua mochila dentro do compartimento de bagagens e ficou de pé, esperando em fila indiana o momento de desembarcar. E deixou, é claro, que as lindas pernas ficassem à sua frente. Acompanhou – las até onde pôde, mas aquelas pernas pareciam estar apressadas ou desinteressadas em conhecê-lo. Desistiu, então, apesar de ter imaginado suas mãos tocando-as por cima da calça jeans.
Desviou o seu trajeto para o restaurante e pediu um prato bem gostoso, para compensar a perda que havia sofrido. Deliciou-se por alguns minutos e sentiu que seu dia seria longo. O que fazer até o próximo vôo que o levaria para outra cidade? Foi então que resolveu procurar as pernas. Talvez elas estivessem esperando também, assim como ele. Passou por todas as lojas, restaurantes, bares e companhias aéreas. Não as encontrou. Resolveu sentar em um dos bancos de espera. Após alguns minutos resolveu deitar. Tirou seus óculos escuros da cabeça e os deslizou até os olhos para que pudessem encobrir seu olhar enquanto tirava uma soneca. Pouco a pouco o sono foi lhe atingindo. Segurava sobre a barriga, para dar um ar mais culto a sua pessoa, o livro que havia começado a ler dentro do avião.
Passaram – se quarenta minutos e inesperadamente foi despertado por um senhor de meia-idade que lhe pedia um ajuda em dinheiro para inteirar uma passagem de volta à Bahia. Carecidamente e com uma vontade intrínseca de fazer uma boa ação deu dois reais ao senhor. O homem lhe agradeceu e lhe perguntou qual era o destino da viagem. Disse somente que estaria saindo do país.
Quando pensou em voltar à sua posição de repouso, foi abordado pelo lindo par de pernas que havia buscado com tanto interesse anteriormente. Mas as pernas só queriam lhe dizer que precisavam de mais espaço no banco onde ele estava usando de uma forma meio abusiva.
Diario de bordo, permita-me, este é um relato de voo domestico ou internacional ? ? ?
ResponderExcluirNossa ! Que pernas mais chatas ! Este conto é o meu favorito de todos ! :D Eu estava lendo no trabalho e não pude parar até o final.
ResponderExcluirBoa foto pro conto tambem ! Mas não entendo porque está embaçada.
Quero mais ! Quero mais ! Quero mais !
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